Avançar para o conteúdo principal

entre nós


entre nós
as palavras
e dentro de nós uma surdez,

entre nós
a densa negrura de muitas noites,
e uma chuva dentro de nós a encher-nos os pulmões,

entre nós
um único fôlego de pele a consumir,
e dentro de nós a clara chama que nos acende,

entre nós
a dúvida que cai dos lábios,
e nada dentro de nós que a dissipe,

entre nós
o eco dos teus dedos,
e dentro de mim apenas luz,

entre nós
eu estou aqui,
eu estou aqui como se estivesse dentro de nós.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

A essência dos dias.4

Hoje de manhã, bem cedo, chego ao trabalho. Ligo o portátil. Arrumo a mochila. Ligo a máquina de café. De repente oiço um alarme. Um alarme com um som que nunca ouvi. Vou tirar café, mas o alarme não para. Será o portátil? Não! Será o meu telemóvel? Vou ver e é de facto o meu telemóvel. Leio no ecrã: "8h14. O tempo terminou!" Sento-me. Olho o rio pela janela. Espero que termine... São 8h30, a Antónia chegou e disse-me bom dia. Ainda cá estou! Falso alarme! Vou tirar café…

Fragmento.2/1

Senta-se à mesa da cozinha depois de aumentar um pouco o som do rádio. Raramente liga a televisão. Há algo que se perde das imagens e escava dentro de si um imenso vazio. Ela não sabe depois como o preencher. Serve-se então, apenas, do som. As vozes. As conversas. A música. Começa a dobrar a roupa interior e o seu gato Alberto salta para a mesa e acomoda-se por entre as meias. Olham-se. Ajeita o cabelo instintivamente quando uma ou outra canção tocam no rádio. Afaga-o junto ao pescoço, em redor das orelhas, e por fim encosta levemente alguns cabelos dispersos da sua franja com o dedo médio da mão direita. Parece que executa um código secreto, ou um pedaço de dança, que a devolve generosamente ao passado.