terça-feira, 27 de julho de 2010

saberás por acaso que a praia está vazia

saberás por acaso que a praia está vazia
e as ondas já não quebram perto dela,

que nos imagino aqui à superfície,
corpos exilados à procura de água doce
e o sal a estilhaçar na pele, a traçar caminhos, a deixar rasto,

segue-me porque há ondas que rebentam na minha boca,
há guitarras e canções e correntes de ar que explodem como estrelas no meu corpo,

olha a praia azul e serena
onde a água se deita como uma pequena deusa cansada no final da tarde,

podíamos ser como ela e podíamos ficar, podemos ser cúmplices,
poderíamos amar, e quereríamos sofrer, saberíamos mudar,
mas saberás sequer que aqui estamos mesmo quando nos olhas,
que o mundo por instantes é belo e perfeito
que há silêncio e que a noite se atrasa quando nos vê,
que há um significado invísivel nos teus gestos,
cheiros que se revelam como fotografias,
memórias que nos habitam como um vírus,

não há palavras pousadas na minha língua,

há expectativas espalhadas por tanto mar,
por isso te vigio, ser
estranho
mutante
prometedor

[Jack Spencer]

Sem comentários:

Enviar um comentário